O
despertador pareceu tocar mais violento que nunca, ou talvez seja apenas mais
uma das diferenças entre meu antigo quarto e esse, acordei pulando, acabei
tropeçando no meu sapato que eu havia
deixado na beirada da cama, foi terrível pois acabei batendo a testa no modular
que ficava próximo a cama, resultado? Uma dolorida marca roxa bem próxima ao
inicio dos fios do meu cabelo, me levantei já pegando a toalha pendurada na
cadeira, fui até o banheiro e tomei um banho quente deixando a água cair no
local onde estava dolorido. Fiz toda a
minha higiene e meu pai já batia a porta.
-Filha, já está pronta! Olha
o horário. – ele gritou batendo a porta.
Eu sequei meu cabelo, arrumei minhas coisas e desci para
tomar café. A Maressa já havia arrumado todo o meu café, eu dei bom dia pra
ele, tomei o meu café correndo e subi para escovar os dentes e pegar a minha
mochila. Desci correndo e meu pai já estava na ponta da escada começando a
gritar.
-Letícia, minha filha, anda.
– eu ri o respondendo.
-Calma pai! Já cheguei.
-Hoje você demorou em.
-Eu acabei me atrasando,
tropecei e... – eu puxei o cabelo pra o mostrar – bati a cabeça.
-Entendi, mas tá tudo bem
meu amor?
-Tá sim, vamos logo então. –
ele apenas sorriu me puxando.
-Bom dia, Leti! – o Felipe
sorriu.
-Bom dia. – eu disse já
saindo pela porta.
-O que foi Leti?
-Nada, tô cansada. – eu
sorri fraco sentando-me no banco de trás.
Eu acabei cochilando até chegar a escola, quando chegou
meu pai me cutucou e eu ri de como eu estava cansada. Eu me levantei, ajeitei
meu cabelo pelo espelho, dei um beijo no meu pai, desci e quando estava subindo
as escadas o Daniel tocou o meu braço dizendo.
-Ei tá indo pra sala?
-Sim, estou... Tu é da minha
sala? – ri.
-Sou sim, não me viu ontem?
-Não. – ri.
-Sou imperceptível. – ele
riu – Vamos logo então.
Ele passou a minha frente indo pra sala e eu o segui
rindo por saber que eu não percebera ninguém na minha sala a não ser os meninos.
Ele sentou-se no canto um pouco perto dos meninos e pegou minha mochila
colocando na sua frente.
-Vai se sentar aqui hoje! –
riu.
-Nossa, sento! – ri e me
sentei.
-Vai fazer o que hoje a
noite, Leti?
-Ela vai sair comigo! – o
Felipe falou dando um sorriso fraco.
-Não vou não, Felipe. –
franzi o cenho e sorri – Pra onde tu vai, Daniel?
-Pra um barzinho com os meus
amigos e as namoradas deles.
-Eu vou contigo, passa lá em
casa? – o Felipe me olhou, mas logo desviou o olhar pra porta.
A prima do Murillo entrava pela porta, acompanhada por
ele e o Caio, ele sorriu pra ela e logo sentou-se ora olhando pra mim hora pra
ele.
-Eu busco você, é claro. –
ele sorriu e eu apenas assenti.
-Busca pra que?
-Nada.- eu me regrei a
responder apenas isso pro Caio – Mas aqui, que horas?
-Lá pelas 20h, tá bom?- ele
sorriu sentando-se de frente pra mim.
-Tá sim, mano.
-Onde vai Leti? – o Murillo
perguntou em pé atrás de mim.
-Um lugar aí! – eu sorri
forçado pra ele.
-Como é o nome do lugar?
-Um lugar, eu não sei o
nome! – joguei a cabeça pra trás cansada.
-Felipe, tu vai? – o Murillo
perguntou pra ele e ele apenas negou com a cabeça. – Ele vai sozinha?
-Não, eu vou com o Daniel,
não tá vendo.
-Nossa, desculpa então. Não
vai chamar a gente?
-Não, é coisa particular. –
pisquei pro Daniel e comecei a rir.
-Você ouviu isso Felipe?- o
Caio gritou fazendo com que eu o percebesse próximo.
-Ai gente, me deixa. Além do
mais talvez a... – eu tentei recordar o nome da prima do Murillo, mas não conseguia.
-A Iasmin? – o Gustavo
sugeriu.
-É, a Iasmin queira que você
a levem em algum lugar. – eu sorri fraco voltando a focar meu olhar no Daniel.
-Não, eu vou sair com o
Felipe. – ela disse sem graça e os meninos riram.
-Mais um motivo pra gente ir
com você! – o Caio retrucou falando comigo.
-Acho que não, agora tu tá
solteiro devia ir aproveitar com seus amigos!
-O que a gente tá indo
fazer?
-Ata, desculpa. Perguntem
então pro Daniel onde é. – eu me levantei saindo para beber água.
Fui andando bem devagar e quando voltei o professor já
estava na porta, entrei correndo e me sentei abrindo os materiais. A aula dele
passou ligeira, o que me fez dar graças a Deus, por eu odiar física. A aula de
Literatura se fez devagar e a aula de Sociologia também. Assim que terminou, eu
virei pra trás para conversar com o Daniel, que puxou uma cadeira, sentando-se
a minha frente, ele sorriu e perguntou.
-Quer que eu vá buscar
lanche pra ti? – ele perguntou me vendo pegar o dinheiro.
-Não precisa, vou comprar
pra ela! – o Felipe sorriu pegando o dinheiro da minha mão.
-Ele já foi, deixa, ignora.
– eu ri.
-Não tem problema, coisa de
irmão, tô ligado.
-Pois é, tô com sono velho.
-Pode se encostar em mim...
Se quiser é claro! – ele arredou colando nossas cadeiras.
-Vou encostar mesmo, até
porque estou com muito sono. – eu joguei meu corpo encostando-me nele que
passou uma das mãos pela minha cintura pra não me deixar escorregar.
Eu estava quase cochilando quando o Felipe e o Caio
chegaram gritando.
-Que pouca vergonha é essa
aqui, caralho?
-Onde você está vendo pouca
vergonha? Eu só estou encostada nele pra dormir um pouco.
-E essa mão dele?
-Não tem intenção nenhuma,
relaxa. É só pra ela não escorregar da cadeira.
-Af, cês são um saco,
caralho. – eu me arrumei na cadeira pegando o lanche da mão deles.
Eu comi sem pronunciar um “A” pra eles, assim que
terminei o Daniel pegou o lixo da minha mão e o jogou fora. Eu fiquei
conversando com ele e uma menina chegou até a porta chamando-o, era a irmã mais
nova dele, então eu resolvi olhar meu celular e havia 25 mensagens no wpp, 10
delas eram da Rafa, 4 da Maria, 3
da Tatiana e 8
da minha mãe,
eram mais o menos assim.
“Rafaela Pirigute: Vagaaaaaaaaaaabunda!
Tô com saudades...
Tá fazendo falta te ver todo dia!
A praia nem é a mesma sem você
As aulas então...
O Vilela perguntou sobre você hoje, deve estar com saudades dos seus
beijos, kkkkk
Espero que tu esteja bem!
Dá notícias...
Apresenta seu irmão gatão
Aé, nas férias vou te visitar... Te amo!”
“Maria Negrinha: Oh sua vagaba...
Não liga pras amigas mais?
Estamos com saudades.
Vamos te visitar mês que vem nas férias, te amamos.”
“Tati Chapada: Tô com saudades!
Aula chata sem ti, notas ruins sem ti!
Vou de carona com as minas te visitar, quarteto montado de novo!”
“Mãezoca: Filhota, mamãe tá morrendo de saudades!!!
Comprei umas coisas lindas pra você!!
Já mandei, mas aqui a noite a
mamãe te liga, agora estou indo para aquela aula!! Haha
Como está indo aí?
Tá gostando?
Já tô morrendo de saudades da sua “frescura”, da sua preguiça, das suas
bobeiras, da sua risada!!! xD
Mamãe te ama, lindona.
A noite a gente se fala direitinho, fiona!! s2.”
Eu tava morrendo de saudades da minha mãe, a gente tava
sempre junta lá no Rio, não nos largávamos pra nada, ainda bem que ela ligaria
a noite, um anjo não tem nem três dias direito que estava lá e já havia
comprado coisas pra mim e mandado. Eu resolvi responder ela e as meninas.
“oooooi, mãezoca, vou esperar ansiosamente pela noite!
tô com saudades também...
ahhhh, tá tudo bem!
meu pai está tentando me agradar de qualquer maneira.
a Silvia é um amor, mas nada se compara a ti.
o meu irmão é uma paixão, só que logo agora tá apaixonado por uma mina
aí.
te amo muitão minha princesa, não esquece de ligar!”
“Sai fora Rafaputa!
te liguei ontem velho...
te A C O R D E I!
fui um anjo protetor, kkkkkk.
Vem mesmo, os dias parecem passar devagar pra caramba sem vocês!
tô esperando ansiosa, tchau vadias, tô na aula.”
“Preta vagabunda do caralho você!
eu sei que faço falta, pois sou a base de toda a pirâmide, kkkkkkkk
tô sentido tua falta também!!!
Vem mesmo conhecer esses caras super gatos de POA! Te amo.”
“Tô com saudades, veeeeeeeeeem logo
e vê se estuda, te amo.”
Assim
que terminei guardei o celular e o Felipe, sentou-se ao meu lado perguntando.
-Quem é que tu tava
respondendo, guria? – sorriu.
-Minha mãe, a Rafa, a Maria
e a Tati. – eu sorri pra ele também.
-Eu tava querendo conversar
com você!
-Pode falar! – eu me virei
pra ele.
-Não me interrompe então ok?
– eu assenti – Olha, a gente sabe que isso tudo é ciúmes da Ias. – eu ri da
intimidade dele – Mas, olha não fica assim, não comigo, por favor! Vai, tu é
minha irmã, não quero minha irmã com birra comigo. A gente tá vivendo junto a
só 2 dias, mas a gente tem ligação de sangue, velho e por mais que seja
estranho eu te amo.
-Ai que menino bonitinho
gente. – eu sorri pra ele – Relaxa, não tô de birra contigo!
-Então porque nem falou
comigo hoje, ficou só conversando com o Daniel?
-É que ontem ele foi super
legal comigo, tô só retribuindo a gentileza.
-Ahh, ontem.
-Sim, ontem...Quando vocês
me deixaram sozinha, me esqueceram sentada no sofá e ele foi lá puxar assunto.
-Desculpa! – ele pediu
piedoso.
-Não precisa, só uma coisa,
tu tá parecendo um bobão, tá caídinho pela mina, eu sei, mas é pra continuar
homem! – eu ri e ele beijou-me ao rosto.
-Ata, tá parecendo mesmo?
-Sim, muito!
-Vou diminuir! – ele riu –
Mas já que não tá de birra comigo, e com o Caio tá?
-Por que com o Caio?
-Nada não, é que tu ajudou
ele né, aí ele te considera pra caralho agora e tu nem falou com ele.
-Entendi, pede desculpa por
mim, depois falo com ele.
-E o gays também gostam de
ti, não fica assim com eles. – eu apenas assenti rindo.
-E a tua queda, também quer
que eu me relacione com ela? – ele riu balançando a cabeça negativamente.
-Não é minha queda, ela é
legal, depois tenta conversar com ela. – eu assenti e ele saiu andando pra se
sentar com os meninos.
Eu estava distraída, mas de longe escutei ele falando
algo com o Caio que parece nem ter pensado duas vezes e veio sentar-se na
cadeira ao meu lado.
-Bom dia! – eu disse no
impulso ao o sentir encostar uma das mãos em mim.
-Bom dia, Leti! – ele riu
afastando a mão.
-Tá tudo bem?
-Tá sim. – ele sorriu.
-Que ótimo.
-Vai sair com o Daniel mesmo
hoje?
-Vou, eu já aceitei ué, além
do mais vocês também vão.
-E tu não marcou de sair com
ninguém?
-Por que não foi com ele?
-Não estou nem um pouco afim
de programa de casal.
- Ahhh, entendi.
-O de vocês não é de casal
né?
-Não, não, relaxa. – eu
respondi apressada.
-Então tá bom. – riu.
Eu apenas sorri pra ele e professor chegou, ele se
levantou indo em direção ao seu lugar e logo depois o Daniel chegou sorrindo e
puxou a cadeira dele pra que ele sentasse. O professor apenas passou alguns
exercícios e deixou o resto da aula para que nós resolvêssemos. Eu comecei a os
fazer e o Daniel perguntou.
-Sabe fazer isso? – entortou
os lábios.
-Sei sim, puxa a cadeira que
eu te explico.
Ele puxou a cadeira, colocou o caderno em cima da minha
mesa e eu fui fazendo e explicando pra ele. Assim que a gente terminou, ficamos
conversando até a próxima aula começar, que foi estilo uma aula livre, porque o
professor havia faltado, ela se fez rápida e nós juntamos os materiais e
descemos para quadra para à aula de educação física. Eu deixei minha bolsa no meu armário e me troquei
vestindo o uniforme. Eu sai sentando-me na arquibancada e as meninas logo
tiraram um time para jogarmos hand, meu time acabou ganhado de 7 a 4, tentei
ajudar mas não estava entrosada com a meninas, consegui fazer 2 gols, o que
para um primeiro dia já estava ótimo. A aula terminou e eu fui até o vestiário
tomar o meu banho e me trocar para esperar o meu pai. O fiz e quando saí o
Felipe e o Caio já estavam me esperando na porta, ou só o Caio, até porque o
Felipe podia estar esperando a Iasmin, mas enfim ele estava me esperando, pois
como diz ele “oh pai” já havia ligado para ele dizendo que estava nos esperando
na porta da escola, nós saímos e ele estava com o carro parado debaixo de uma
árvore enorme, conversando ao telefone, eu entrei na frente e o Felipe foi
atrás com o Caio, o mesmo iria passar a tarde lá em casa, jogando e conversando
com o meu irmão, quando entramos meu pai desligou o telefone, dando-me um beijo
no rosto e ligou o carro. Quando paramos no sinal, eu lembrei-me de avisa-lo
que sairia a noite com o Daniel.
-Ei pai, vou sair hoje a
noite, algum problema?
-Não desde que eu saiba com
quem vai sair. – ele falou ainda olhando para o sinal.
-Com o Daniel, é um amigo da
escola.
-E seu irmão vai?
-Não ele vai sair com a
Iasmin!
-E nem me conta meu garoto.
– ele olhou pra ele através do espelho e sorriu – Não me parece confiável isso
de você sair com esse tal menino aí.
-Pai, mas o Caio vai comigo!
– o Caio olhou pra mim confuso por estar distraído e não saber do que se trata
a conversa.
-Vai mesmo Caio?
-Onde? – ele perguntou sem
entender nada.
-Tu não disse que ia com ela
no tal lugar onde o Daniel falou? – o Felipe o explicou.
-Ah, eu vou sim! – ele riu.
-Então tu pode ir, porque o
Caio é confiável.
-Nossa, senti que em mim não
se pode confiar.
-Não é em você, Letícia. É
nesse tal de Daniel aí! – ele explicou.
-Tá, mas eu posso né?
-Pode sim!
-Eu mereço um brigado! – o
Caio riu.
-Obrigada, mas tu tava me
devendo. – eu sorri.
Eles foram conversando o resto do caminho sobre o jogo de
domingo e de como eu merecia uma camisa novinha com o meu nome, sim, eu amei
isso. Quando chegamos em casa a Silvia
estava lá toda preocupada, eu subi,
troquei de roupa e voltei sentando ao seu lado .
-Tá tudo bem Silvia?
-Ai, é que hoje a noite é a
inauguração da minha nova loja e eu estava super preocupada.
-Deu pra perceber, mas fica
calma, vai dar tudo certinho.
-Deus te ouça, Letícia!
-Tu fez tudo direitinho, vai
dar tudo certo sim.
-Você vai comigo? Por favor.
-Eu vou, mas eu combinei de
sair, então fico até as 20h.
-Tá ótimo, até aí já passou
o nervosismo.
-Eu vou contigo então. –
sorri.
-Brigada meu anjo. – sorriu
– Vá almoçar agora.
-Vou sim! – eu me levantei.
-Só que antes, chama os
príncipes pra mim. – ela se levantou dando-me um beijo no rosto.
-Chamo sim. – eu subi as
escadas.
Os meninos estavam jogados no chão vidrados a TV, eu
entrei gritando.
-Ei prins, vamos almoçar? –
eu sentei no colo do Felipe o atrapalhando.
-Não Leti, o Caio vai ganhar
desse jeito.
-Não seja por isso! – eu me
levantei sentando no colo do Caio que colocou a manete no chão e encostou a
cabeça em mim.
-Pronto Felipe, agora você
ganhou, vamos comer veadão.
-Tu largou o controle
retardado?
-Larguei, tua irmã é muito
pesada! – ele mordiscou o meu braço e eu levantei.
-Para, sou levinha. Mas
vamos levantar, antes que a Silvia e o meu pai subam e nos levem pelos cabelos.
– eu ri e fui saindo do quarto acompanhada por eles.
Nós descemos, colocamos as nossas comidas e sentamos a
mesa. Acabamos demorando um bom tempo sentados ali, pois comemos devagar devido
as gracinhas do Caio e do Felipe, as quais eu só observava.
Nenhum comentário:
Postar um comentário