sexta-feira, 17 de maio de 2013

Terceiro Capitulo- Amigos ou nada...


Olhei-o com o olhar forte disse.
“Ei, lembra? Amigos!”
            Ele tirou o sorriso do rosto , me soltou e continuou a andar.
“Leonardo, Léo, me espera, vai!”
            Ele nem olhou pra trás, continuou andando, corri em sua direção.
“Léo, não fica chateada, meu Deus, pfvrr Leonardo!”
“Me deixa Kamila, tu nem deve imaginar o que é pensar em você a noite toda né? Desde o primeiro minuto que eu te vi de novo eu não consegui pensar em você! Me deixa.”- andou mais rápido.
            Eu fiquei parada no mesmo lugar observando o seu andar e a distância que tomava, quando ele virava para o portão percebi que havia parada e continuei a andar com passos largos para chegar até o portão. Quando cheguei não olhei para o lado, apenas subi as escadas pra sala e quando cheguei a primeira imagem que vi foi a Fernanda se esfregando no Leonardo, que nojo cara, apenas virei o rosto e fui para o meu lugar. A Felippa e a Sophia entraram na sala e foram direto para o meu lado.
“Ei Kamila, o que é aquilo ali?”
“Não sei, não pergunta pra mim Fe!”
“Quem é aquele ali Ka?”
“Leonardo, meu amigo... hm, acho que sim. Vizinho ou sei lá o que!”
“Hm já entendi. Ciúmes...”
“Entendeu o que? Pirou Sophia?”
“Nunca Ka, mas deixa.”
            Olhei pra eles de novo e no mesmo momento ele olhou de volta. Virei o rosto e logo a Fernanda olhou. Ignorei e ele andou na direção de uma cadeira vazia um pouco perto das nossas, mas fingi não importar. Ele deixou a mochila na carteira e foi cumprimentar a Felippa.
“Ei Felippa, bom dia!”
“Bom dia Leonardo!”- a Sophia a cutucou. “Ah, essa daqui é a Sophia!”
“Prazer!”- disse abraçando-o e ele retribuiu.
            Me levantei e fui em direção a cadeira do Lucca pra conversarmos, não ia ficar olhando o Leonardo me ignorar. Sentei na cadeira do lado e disse.
“Ei Lukinha!”
“Fala Sardinha!”-riu
“Cada dia mais engraçado tu em amigo?”
“Sempre!”-sorriu.
“Nossa, cada dia pior!”
“Cadê meu abraço?”
“Desde quando sou obrigada a isso!”-ri e me levantei.
“Desde quando estamos namorando!”
“Estamos? Ata!”- abracei-o forte.
“Tu tem o melhor abraço do mundo Sardinha!”
“Awn, que amor esse Lucca!”
            O soltei e sentei na sua mesa.
“Sabe quem é aquele mlk?”
“O nome dele é Leonardo!”
“O conhece da onde?”
“Ele era/é meu vizinho, meu amigo ou sei lá.”
“Ata, me dá mais um abraço?”
“Até dois!”-abracei-o novamente.
            Ficamos um bom tempo abraçados e depois ele disse.
“Tem lugar perto de ti?”
“Tem aquele lá do lado!”
“Vou pra lá então!”
“Vamos!”-sorri e ele deu-me um beijo no rosto.
            Ele pegou a mochila e veio atrás de mim. Passou o braço pelo meu pescoço por trás e saiu me empurrando. Sentei no meu lugar e a Sophia disse.
“Lucca? Desse lado? Meu Deus! O que te fez vir pra cá?”
“Vim por você Sophia, nunca na sua vida, mas tudo bem. Vim pra ficar perto da bebê!”
“A bebê sou eu?”-olhei desentendida.
“Você mesma!”
“Eaí quem é você mesmo?”- o Leonardo perguntou.
“Lucca, por que?”
“Nada, curiosidade. Leonardo beleza?”
“Hm tá.”
“Lucca, a professora chegou, senta!”-olhei-o e depois pra professora.
            Ele sorriu, olhou pro Leonardo que agora me olhava, deu-me um beijo no rosto e sentou. A aula dela foi aquela normalidade de sempre, a aula da Matilde foi um tremendo cu, porque ela não tem controle sobre a sala, ou seja, a Fernanda em cima do Leonardo, mas fiquei conversando com o Lucca e a Felippa.
“Ei Felippa o que deu com o Diogo?”
“Até tu tava sabendo Lucca e eu não? Só fiquei sabendo na hora!”
“É meu primo neném, por isso!”-riu.
“Ata, entendi!”-ri e o Leonardo se virou pra olhar.
“Mas como foi Felippa?”-disse me abraçando.
“Ah foi o máximo!”
“O máximo foi segurar vela pra eles Lucca!”
“Tu foi?”
“Ela me chamou pra ir e não me disse nada!”-ri.
“Se eu soubesse teria ido, assim tu não ficaria segurando vela!”
“Sai Lucca!”-ri.
            Ele me olhou e deu uma risadinha, depois continuamos a conversa.

Menina nova, paixão a prova


O Felipe estava totalmente apavorado, eu só sabia rir dele, ficamos assistindo TV, o irmão do Caio passaria lá em casa 14h30min, então as 14h eu subi pra me arrumar levaria 30min certinhos pra me arrumar, tomei meu banho e fiz minha higiene.  Saí do banheiro com as minhas roupas intimas, pranchei o cabelo, passei só um pouco de maquiagem, com pó, blush e rímel e vesti-me. Eu terminei joguei perfume e quando estava retocando meu blush o Felipe bateu na porta.
-O irmão do Caio já está aí em baixo, vamos?
-Vamos.
-Já tá pronta?
-Tô sim! – ri.
-Não tô acostumado com mulher arrumando tão rápido assim.
-Nós só vamos ao cinema né Felipe, por isso. Agora vamos!- ri.
            Ele concordou e descemos, ao abrirmos o portão o Caio estava encostado no carro e abriu a porta de trás pra gente, nós entramos e ele apresentou o irmão dele pra mim.
-Oh Letícia, esse é o Cícero meu irmão. Essa é a Letícia meia irmã do veado.
-Ei, prazer. – se virou pra trás sorrindo e eu retribui.
-Oi.
            Eles foram conversando durante o caminho todo e eu aproveitei pra tweetar.
@letisenna_ coé, fiquei sem me comunicar, mas tô bem... rsrs, ninguém te perguntou Letícia.
@letisenna_ estou indo ao cinema com o meu irmão e os amigos dele, haha.
            Assim que terminei de tweetar meu celular vibrou e era uma menção da Rafaela.
@rafajardim @letisenna_ não esquece de tirar foto com o seu irmão gatão e tô morrendo de saudades puta.
@letisenna_ @rafajardim nossa, quanta consideração, kkkkk, tô com saudades também, beijo.
@letisenna_ saindo aqui, beijão.
            Eu bloqueie o celular e fiquei vagando meu olhar pelo carro por enquanto que eles conversavam. Quando finalmente chegamos ao shopping, os meninos já estavam lá com os ingressos na mão, entregou um pra cada e o Gustavo disse.
-Anda, vamos comprar pipoca agora e mais coisas, antes que dê a hora e a fila fique daquele jeito boiolas. – riu.
-E princesa, porque a minha irmã é uma o viadão. – ri da colocação do Felipe.
-Ai que fofura! – dei um beijo no rosto dele.
-Parem com isso e vamos lá comprar. – o Murillo disse e riu.
-Vamos!
-Aé, nem contei que minha prima tá vindo morar lá em casa, vai estudar lá na escola, chega hoje a noite.
-Tá vindo por que?
-Meu tio, tá achando melhor ela estudar na capital.
-Entendi.
-Como é o nome dela Murillo?
-É Iasmin e sai fora Gustavo! – riu.
-Ela vai na aula amanhã?
-Deve ir e sai fora veado! – riu.
-Tá, mas ela é gata? – o Caio perguntou descontraído e riu logo depois.
-Demais, se não fosse minha prima... – riu.
-Tá na nossa vez, o que vocês vão querer? – eu perguntei interrompendo.
-Pode pedir aí.
-Tá. – eu sorri.
            Comprei pipoca, refrigerante, chocolate e os meninos não me deixaram pagar. Nós fomos pra fila e quando conseguimos sentar ficamos em fileirinha. Assistimos todo o filme e assim que acabou sentamos no banco e o Gustavo deu uma ideia.
-Oh Murillo, já que tua prima vai chegar, porque não fazemos uma festinha pra ela?
-Pode ser.
-Pode ser lá em casa, mas nada extravagante. – o Felipe afirmou.
-Pode ser então, a gente compra umas pizzas, mais alguns lanches, bebida e pronto.
-Fechou.
-Que horas que tua prima chega?
-Chega as 18h30min.
-Então a gente dá um tempo pra ela conversar com a tua família e tomar um banho. Fechado 19h30min?
-Fechadasso.
-Tá calada por que Lele?
-Nada não gente, relaxa.
-Tadinha da Leti, gente. – o Caio me abraçou.
-Tadinha por que mané? – o Gustavo perguntou.
-A gente nem fez nada pra ela também! – olhei assustada pra ele.
-Tá com ciuminho? – o Felipe riu.
-Tô não gente. – olhei pra eles.
-Mas a festa é sua também Lele, esses meninos não mandam em nada não é tu que manda. – o Caio riu e me deu um beijo no rosto.
-Ou larga minha irmã aí, mané.
-E se eu não quiser bostão? – o Caio e o Felipe riram.
-Tu é um viadinho, pode.
-Oi gente, eu tô aqui.
-Desculpa princesa. – os dois falaram juntos, riram e o Felipe me abraçou também.
-Tá, agora vamos pra casa, resolver isso então.
-Vamos, Leti.
-Aqui, aquela minha roupa que eu te emprestei ainda tá na tua casa Felipe?- o Caio perguntou.
-Tá sim, mané.
-Vou pra casa então não, vou arrumar lá na tua casa.
-Falô, viado.
-Então nem precisa ligar pro teu irmão né Caio, pegamos um taxi mesmo, melhor.
-Tu que manda.
-Então vamos. – dei um beijo no rosto do Murillo e do Gustavo e puxei o Caio e o Fê pra irmos pra casa.
            Encontramos um taxi facinho, fomos até lá em casa e quando chegamos eles foram pro quarto do Felipe e eu fui pro meu. Tranquei a porta e fui tomar um banho, tomei-o, fiz minha higiene, passei uma maquiagem fraquinha e vesti-me. Passei perfume, retoquei a maquiagem, arrumei o cabelo novamente e já ia descendo quando os meninos me chamaram.
-Fala.
-Tá linda.
-Brigada.
-Nada.
-Nós já pedimos tudo, a área lá embaixo tá arrumada.
-Beleza, se chegar eu vou recebendo.
-Tá.
-Aqui, vou me arrumar e o Caio fica lá contigo.
-Beleza, vamos então.
            Nós descemos e sentamos lá na sala. Não pronunciamos nenhum “A”, até o interfone tocar era o Gu, o Mu e a prima dele. Eles entraram, cumprimentaram o Caio e disseram.
-Essa daqui é a Iasmin.
-Ei! – o Caio cumprimentou-a simpático.
-Oi, prazer!- ela sorriu e ele gesticulou por cima dos ombros dela.
-Nossa, que prima Murillo.
            Eu ignorei os meninos e voltei a me sentar. Eles ficaram conversando com ela, eu resolvi observa-la e como se não fosse obvio o fiz. Ela estava muito bem vestida, mas por algum motivo, ciúmes talvez não pronunciei nada a ela. Passado um tempo o Felipe, desceu as escadas e quando chegou perto da gente ficou paralisado olhando pra menina, eu não aguentei comecei a rir e todos os olhares se voltaram pra mim, eu parei de rir abaixando a cabeça e me encostei ao sofá.
-Ei, prazer! Felipe.
-Iasmin, prazer. – sorriu e ele beijou-a o rosto.
-Vou sentar do teu lado tá Letícia.
-Oi?
-Vou sentar aqui.
-Ata, senta aí Gustavo.
            Nem dei muita ideia me concentrei no meu celular e minutos depois milhões de pessoas ocupavam a casa, estavam todos do lado de fora e eu fiquei dentro vendo do TV, não tava nem um pouco afim de ficar lá fora. Liguei pra Rafa conversei com ela e logo depois chegaram um grupinho de meninos sentando no sofá.
-Eaí.
-Oi?
-Tu que é a Letícia né?
-Sou eu mesmo e você quem é?
-Ata. – voltei a prestar atenção na TV.
-Não vai sair?
-Não tô afim.
-Vamos lá comigo, se não gostar tu volta. Só pra gente conversar.
-Já estamos conversando.
-Nossa.
-Desculpa.
-Sem problemas. Tá todo mundo lá fora, vamos?
-Se eu não quiser ficar lá fora e voltar tu vai parar de encher meu saco?
-Desculpa então, mas juro que paro. – ele disse se levantando e estendendo a mão pra mim.
-Tudo bem. – segurei na mão dele e fui lá pra fora.
            Nós ficamos no outro canto longe dos meninos, conversamos e ele até que era legal, me arrependi de ter tratado ele daquele jeito.
-Desculpa aquela hora, é que não tava afim mesmo de vir aqui.
-Eu percebi, por isso nem levei tanto em conta.
-Entendi. – sorri e vi de longe o Felipe babando na menina, ri baixinho e continuei a conversar.
            O tempo foi passando e o povo foi indo embora, o Daniel ficou até tarde conversando comigo, levei ele até a porta e acabei sentando na escada pra continuar a conversa com ele. Assim que ele foi embora, entrei e os meninos estavam na sala e logo perguntaram.
-Onde estava?
-Aqui?
-Não te vi.
-Porque não fazia questão.
-Tá assim por quê?
-Tô com sono.
-Letícia!
-Felipe!
-Por quê?
-Sono, beijo.
            Não respondi a nenhuma outra pergunta, subi e ao entrar no meu quarto troquei de roupa e acabei dormindo em quanto estava lendo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

É mesmo sério isso...


O Gustavo era bem engraçado, não conseguia não rir dele, o Mu é um fofão, não tem como não gostar dele, o Felipe é meu meio irmão, daria um ótimo amigo, quem sabe... O Caio continua sem pronunciar muitas palavras, então não tirarei conclusões precipitadas sobre ele. Finalmente a aula de artes acabara, saímos e fomos pro pátio, eu me sentei em um banco com o Murillo e o Caio, por enquanto que o Felipe e o Gustavo compravam lanche para gente. O tempo esfriara ainda mais e não havia sol, apenas vento, ao bater em meus cabelos eu senti-me arrepiar e o Caio disse.
-O Letícia, tá sentindo muito frio?                                                                                  
-Estou sim, bem que o Felipe falou que eu sentiria!- ele deu sua primeira risada.
-Calma, vou ali no vestiário buscar minha blusa pra você!
-Não, nem precisa Caio!
-Nem esquenta Letícia, pode aceitar!
-Não, é sério!
-Já volto.- ele disse se levantando e ignorando o meu não.
            Eu vi os meninos vindo com o lanche de longe e encostei a cabeça no ombro do Murillo, fazendo-o relaxar os ombros pra que eu ficasse mais acomodada. Eles entregaram o lanche pra mim e pro Murillo, eu tirei a cabeça de seu ombro e os meninos disseram.
-Cadê o Caio?- olhou pros lados.
-Foi ali.- eu respondi.
-O que eu vou fazer com o lanche dele? Tô com fome.
-Me dá que eu seguro, pode comer o seu. – peguei o lanche dele da mão do Felipe.
            O Caio chegou, se sentou ao meu lado de novo e eu entreguei o lanche pra ele, que pegou meu lanche da minha mão e disse.
-Eu seguro pra tu colocar, toma a blusa. – deu-me  a blusa.
-Brigada. – vesti-a.
            Ele apenas assentiu e me entregou o lanche de volta, eu comi o salgado, bebi um pouco do suco e fui até o banheiro escovar os dentes e lavar a mão. Voltei para o banco andando devagar, de longe avistei uma menina, de cabelos longos, luzes na ponta deles, olhos claros e uma pele morena no ponto certo, logo deduzi ser a namorada do Caio, continuei caminhando devagar e ao chegar lá, sentei no meio deles de novo e ela ficou me olhando.
-E essa menina quem é, Caio? E por que ela tá com a sua blusa?- ela disse.
-Essa é a Letícia, não é da sua conta o porque de ela estar com a minha blusa e Letícia essa é a Mirela, como já deu pra perceber e desculpa pelo chilique.
-Sem problema, toma aqui a blusa.- tirei-a.
-Não Letícia, não cede aos desejos dela não. – eu o estendi a blusa e ele empurrou-a de volta pra mim.
-Não, pode pegar Caio, relaxa, o frio já passou. – eu disse me encostando no Felipe e ele me abraçou dizendo.
-Depois eu busco minha blusa pra você Leti.
-Letícia, pelo amor de Deus, ignora ela.
-Não Caio, sério. Não quero problemas pra você.
-Não vai ter Letícia, não sei porque a Mirela tá fazendo esse escândalo por causa da blusa.
-Me dá a blusa, eu tô com frio. – fez bico e tirou a blusa da mão dele.
-Eu por acaso disse que ia te emprestar Mirela.- ele olhou pra ela pegando a blusa de volta.
-Claro que vai Caio.
-Não Mirela, some daqui logo. Melhor, some da minha vida logo.- ele ficou estressado com ela e se levantou indo em direção a um canto da escola.
            Ela apenas resmungou algumas palavras e voltou para um grupo de amigas dela que estavam em uma das mesas da lanchonete. Me deu dó do Caio, ele se estressou e metade da culpa é minha, então eu disse me levantando.
-Gente, vocês sabem pra onde o caio foi?
-Ele foi pra uma mesinha que tem no fundo da escola, ele sempre vai pra lá quando tá estressado ou mal.
-Tá, vou ir ver como ele tá.
-Você que sabe! – o Felipe disse.
            Não o respondi, andei até o fundo da escola e lá estava ela com a cabeça abaixada, sentado a mesa, se lamentando de algo. Eu me sentei ao seu lado, passando a mão em seu cabelo e disse.
-Desculpa, de verdade. – ele virou o rosto pra olhar pra mim.
-Não é tua culpa Letícia, relaxa. – eu continuei mexendo em seu cabelo e ele forçou um sorriso.
-Se tu não tivesse me emprestado a blusa, ela não teria dado showzinho.- ele deu um sorriso sarcástico.
-Não guria, relaxa.- ele levantou a cabeça.
-Ainda acho que foi culpa minha.
-Escuta, Letícia. – segurou meu o meu queixo com a ponta dos dedos. – A culpa não foi tua, ela é doida, tô cansado dela. Ela insiste, eu não a quero mais, Letícia. – suspirou encostando a cabeça em mim.
-A gente nem se conhece direito ainda Caio, mas se tu tá tão mal assim, tenha pulso forte e termina com ela.
-Eu tento Letícia, mas ela todo dia tem uma desculpa nova. Agora tá falando que tá com problemas de cabeça, só falta ela engravidar de mim pra me segurar.
-Mas... Caio, fala de uma vez com ela. Diz que não dá mais, termina. – ele tirou a mão que ainda estava no meu queixo. – Na boa, tu tá se fazendo mal continuando com ela. Meu irmão disse que tu é a melhor pessoa que existe, que desde quando você tá tentando terminar com ela que está assim, todo muado.
-Pior que estou mesmo, eu não aguento mais olhar pra ela, viver nisso de ter que aguenta-la, eu não quero beija-la, eu não quero toca-la, Letícia.
-Então termina, Caio.- falei num tom mais firme.
-Eu vou Letícia e agora.- ele se levantou e nem deixou que eu falasse nada.
            Eu apenas o acompanhei de longe e resolvi não segui-lo, olhei no relógio e já estava quase na hora de voltar pra sala, então comecei a andar em direção a ela. Eu comecei a subir as escadas e avistei de longe a discussão entre o Caio e a Mirela, em um momento a escola toda calou-se e eu ouvi um único grito.
-Mirela, não insiste, porra. – colocou a mão na cabeça – Eu tô terminando contigo e pronto.
            A escola toda olhou pra eles e eu não fiz diferente, todos os olhos curiosos giravam em torno deles, ela disse algo e ele apenas negou a ela de novo e gritou de novo.
-Acabou, tá tudo acabado, pronto. – ele se virou e começou a andar.
            Ela encostou-se a ele, que se soltou e voltou a dirigir-se a sala, eu voltei a andar, mas agora um pouco mais rápido que antes e logo cheguei a porta. Eu pareci me jogar a cadeira, parecia cansada demais. Mas quanta falta de preparo físico Letícia, eu brigava comigo mesma quando o Caio se sentou na cadeira do Felipe e respirando fundo disse.
-Ufa, não aguentava mais.
            Eu não percebi que a fala de era comigo, continuei brigando comigo mentalmente até ele me cutacar.
-Oi? – eu disse confusa.
-Brigado.
-Por?
-Me dá coragem.
-Eu não te dei ela já estava aí. – ri.
-Eu não tava aguentando mais.
-Deu pra perceber. – sorri.
-Mas toma aqui a blusa, sei que tu tá mesmo sentindo frio. – colocou-a no meu colo.
-Brigada. – eu sorri vestindo-a, já que afinal de contas estava mesmo sentindo frio.
            Ele se encostou a parede, não pronunciando mais nada até o Gustavo chegar gritando.
-Até que enfim porra, ninguém mais tava aguentando tu todo amuado por causa daquela mina chata. – os três pularam em cima dele.
-Saiam de cima veados! – ele disse rindo.
-Mas essa minha irmã é um exemplo de força gente, em um dia conseguiu fazer Caio bostão executar o que estava tentando a meses. – me deu um beijo na testa.
-Ih gente, menos vocês. – eu disse concentrada nos olhos claros do meu irmão.
            Triste, eu também quero ter olho claro. Os meninos sentaram-se em seus lugares de menos o Felipe, pois o Caio estava no dele e ficamos conversando até o professor chegar. Quando ele chegou nos calamos e assistimos ao resto das aulas em silêncio. Ao terminar o sexto horário o Felipe disse.
-Oh veados vocês vão jogar play lá em casa hoje mesmo?
-A gente tava querendo ir ver aquele filme, melhor né não?
-É sim, que horas que nós vamos?
-As 15h feioso.
-Você vai né Letícia? – o Murillo perguntou.
-Não sei, vocês me chamaram?
-Estamos chamando agora!- o Gustavo retrucou.
-Se o Fe for eu vou.
-O Felipe vai!- o Gustavo disse mais uma vez.
-Então eu vou com ele.
-Tá, mas a gente tem que pedir o pai pra levar a gente, minha mãe vai trablhar a tarde.
-Conhece taxi não Felipe?
-Conheço.
-Então.
-Mas não precisa, meu irmão que vai me deixar lá, ele passa lá e pega vocês. – o Caio pronunciou-se simpático.
-Aí tu passa lá então, gay.
-Pode deixar.
            Eu parei de prestar atenção na conversa dos meninos para olhar o sms que chegara em meu celular.
“Filha, já estou esperando na porta.”
            Nem o respondi, apenas disse ao Felipe, que agora estava encostado na pilastra atrás de mim.
-O pai chegou Fe, vamos?
-Vamos, tchau gays.
-Tchau meninos. – sorri.
-Oh viado, não dá pra me dar aquela carona agora não? – o Murillo disse olhando pro Felipe.
-Vamos então, é caminho de casa mesmo.
            O Murillo foi  até o carro com a gente, entrou na parte de trás junto com o Felipe e eu fui na frente com o meu pai. Nós passamos na casa do Murillo que agradeceu e logo saiu e depois fomos pra nossa casa. Eu subi correndo as escadas, joguei a mochila na cadeira e quando estava saindo do quarto a Silvia disse.
-Letícia, troca de roupa e desce pra gente almoçar tá?
-Já estou descendo, Silvia.
            Eu voltei para meu quarto, troquei de roupa e ao ir guarda-la percebi que a blusa do Caio ainda estava comigo, então a guardei dentro do guarda-roupa pra que quando ele viesse jogar com o Felipe eu o entregasse, já que certamente não lembraria de levar pra escola. Prendi a minha franja e logo desci a escadas em direção a mesa de jantar. Coloquei minha comida, comi tudo, tomei um pouco de suco e levei meu prato até a cozinha, eu já estava indo para tv quando o meu pai disse.
-Lele, coloca sobremesa pra você.
            Voltei devagar até a cozinha, colocando um pedaço da torta alemã pra mim, sentei no sofá perto do Felipe e meu pai e a Silvia logo passaram dizendo.
-Já estamos indo pro trabalho, juízo em.
-O pai, eu e o Felipe vamos ao cinema com os meninos hoje.
-Tá ok filha, vocês tão com o dinheiro? E o cartão.
-Eu tô com os dois.
-E eu não tenho cartão, paizão.
-Fala isso pra tua mãe, Felipe. Ela que não quer deixar um cartão na sua mão, o teu tá guardado comigo, ela que tá te privando.
-Para, mãezinha. Eu mereço vai. – levantou-se correndo e a abraçou dando um beijo em seu rosto.
-Entre isso logo pra ele Marcos. Tu tá me babando, Felipe. – disse o empurrando.
            Meu pai apenas riu, assentindo e entregando o cartão ao Felipe, que sentou-se ao meu lado felizinho com o novo brinquedo.

Segundo Capitulo- A volta do desejo.


Faltava pouco tempo pro horário que eu havia marcado com a Felippa, então fui logo tomar meu banho, tomei-o, fiz minha higiene pessoal, vesti minhas roupas intimas, escovei o cabelo, fiz minha make e vesti-me. Desci as escadas e minha mãe estava sentada no sofá.
“Mãe, vamos?”
“Vai chamar o Leonardo, vou tirar o carro!”-disse se levantando do sofá.
“Ok, estou indo.”
            Saí de casa e toquei a campainha da casa do Leonardo, quem atendeu foi a tia então eu só disse.
“Tia, fala com Léo que minha mãe já vai levar a gente!”                                           
“Ele já está saindo linda.”
            Esperei-o por uns 5min na porta, o que foi meio irritante, porque ele fez de proposito, KKK, mas enfim entramos no carro sentamos os dois no banco de trás pra ficarmos conversando. Aproveitamos e tiramos uma foto para o insta.
@kamiguimaraes E pra matar a saudades, tamo junto! ✌ @leocazarinni
            O trânsito tava terrível, então tivemos tempo de sobra pra conversar e implicar, quando chegou até o local minha mãe parou o carro e disse.
“Juízo mocinhos!”
“Mãe, é só uma churrascaria, relaxa. Brigada por nos trazer!”-dei-lhe um beijo no rosto.
“Quando quiserem é só me ligar pra buscar!”
“Pode deixar mãe! Tchau.”
“Tchau tia.”- se despediu dela.
            Entramos e demos uma olhada pra ver se enxergávamos a Felippa, que estava sentada na mesa do canto do segundo andar com um menino, meu Deus, Léo foi a luz na escuridão pra eu não ficar segurando vela, mil vezes obrigada amigo. Chegamos mais perto e a cumprimentei.
“Ei Fe, esse é o Léo meu amigo, que ficou com saudades de mim e veio morar perto novamente!”-ri.
“Prazer Leonardo.”
“Digo o mesmo Felippa!”
“Esse daqui é o Diogo!”
“Ei, prazer Kamila!”
“Fala ae!”- o Leonardo pegou na mão dele.
“Vamos sentar então?”
“Vamos!”-disse a Felippa já se sentando.
            Nós sentamos nas cadeiras a frente deles e ficamos conversando. O papo rolou legal a não ser pela vela que eu e o Léo seguramos, ok, risos. Comemos, conversamos mais e quando deu 00h30min pedi a conta tínhamos aula amanhã cara. Pagamos e eu liguei pra minha mãe que não atendia então mandei mensagem.
“Mãe pode vir nos buscar, beijos.”
            Léo se sentou na calçada, eu fiquei em pé a sua frente e a benção ficou cantando, problemas? Meu amigo tem de sobra cara, fiquei rindo dele e ele disse.
“Senta aqui!”-apontou para o lado dele.
“Não Leonardo!”-olhei-o.
“Vou te puxar então!”
“Vai na...”
            Não consegui completar a frase, pois ele puxou-me por uma das pernas, o que me fez cair com uma das pernas em seu colo e o rosto perto ao teu. Ficamos nos olhando, até que uma luz forte vinda de um farol tocou nossos olhos, me arredei sentando ao seu lado e o celular vibrou.
“Filha, já estou perto, o trânsito continua terrível!”
            Li e logo disse.
“Hã... Minha mãe já está chegando!”- falei ainda olhando pro celular e tirando os cabelo de trás da orelha.
            Foi super tenso aqueles 15min esperando minha mãe, não abrimos a boca pra nada. Quando minha mãe parou o carro em nossa frente foi um alivio, me sentei no banco da frente pra evitar qualquer tipo de olhar, mas não adiantou mesmo assim ele existiu no momento em que minha mãe perguntou.
“Eaí Léozinho como foi na churrascaria? Se interessou por alguma menina lá?”
            Olhei pelo espelho pra ver sua resposta, minha mão suava frio e meu coração estava disparado, até que a resposta surgiu de sua boca.
“Que nada tia!”-disse olhando na direção do espelho, o que fez com que nossos olhares de encontrassem, fechei o espelho na mesma hora e guardei-o na bolsa.
Chegamos à casa um pouco mais rápido do que havíamos ido, porque minha mãe cortara caminho. Ela parou o carro, descemos, ela foi coloca-lo na garagem e eu disse.
“Até amanhã na escola, vou entrar!”-sorri forçado e comecei a andar.
“Ei, espera!”-puxou meu braço.
            Olhei-o e ele continuou.
“Não precisa ficar assim, esquece o que aconteceu, somos amigos ok?”
“Não tem problema, relaxa!”- ele me soltou.
“Então se despeça direito!”- olhou-me.
“Ok, tchau Léo, beijos!”-abracei-o.
“Tchau chatinha!”- beijou o meu rosto.
            Eu sorri e entrei pra dentro. Subi pro meu quarto, troquei de roupa, arrumei meus materiais e caí na cama.
            Acordei mais cedo que todos, não consegui dormir direito, os olhos do Leonardo permaneceram na minha mente. Levantei, tomei meu banho, vesti a blusa de uniforme, uma legin preta, calcei o tênis, peguei a mochila e desci. A mesa de café estava pronta, então comi um sanduíche, tomei um pouco de suco, fui até o banheiro do andar de baixo escovei os dentes, me despedi da minha mãe e saí pela porta.
            Estava passando pela porta da casa do Leonardo quando a tia gritou.
“Ei Kamila, espere pra ir com a gente!”
            O Leonardo desceu as escadas, sorriu e disse.
“Bom dia, chatinha!”-chegou perto.
“Bom dia!”
            A tia tirou o carro da garagem e parou-o em nossa frente, entrei na porta de trás e o Leonardo foi à frente, pra falar a verdade não adiantou muito, andamos só 7 quadras, o trânsito tava uma merda, então eu disse.
“Ei tia, deixa a gente aqui, rapidinho chegamos lá! Esse trânsito tá terrível!”
“Vão então, boa aula meninos!”
“Brigado mãe!”
“Brigada tia!”
            Descemos e o Leonardo disse.
“É muito longe daqui?”
“Nem é, não começa a reclamar ok?”
“Ok, mas você pode me abraçar?”
“Pra que?”
“Porque eu quero!”
“Isso não é uma resposta Leonardo!”
“Porque eu preciso!”
“Tu não precisa nada, vamos andando!”
            Continuamos a andar e quando estávamos bem perto ele me abraçou forte por trás, logo me virou e sorriu.